terça-feira, 1 de agosto de 2017

Drone clica imagens aéreas e revela Brasília ainda mais linda vista do alto

A modernidade e a simetria das obras de Niemeyer e de Lucio Costa premiam com um espetáculo surpreendente quando vistas de cima. A tecnologia dos drones torna mais simples registrar, do céu, os monumentos que todos os dias encantam

 postado em 01/08/2017 06:00 / atualizado em 01/08/2017 18:25


Se Brasília encanta moradores e visitantes que passam pelas ruas, vista de cima é um outro tipo de espetáculo. Imagens aéreas mostram que a cidade cumpre à risca os três princípios básicos da arquitetura — racionalidade, funcionalidade e estética. A cidade, planejada por Lucio Costa e presenteada com os traços de Oscar Niemeyer nos principais edifícios construídos na região central, dá show por todos os ângulos. Os cliques do repórter fotográfico do Correio Breno Fortes, capturados com um drone e que aparecem com frequência no Instagram do jornal (@correio.braziliense), mostram esses ângulos surpreendentes da capital.


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É o caso do Memorial JK, com a característica estátua do ex-presidente da República, responsável pela transferência da capital do país para o Planalto Central. As imagens da Catedral não ficam atrás em beleza. “O lugar da Catedral foi escolhido de maneira bastante destacada, é o único templo religioso na Esplanada, perto dos Poderes”, ressalta o professor da Universidade de Brasília (UnB) Cláudio Queiroz, membro do Conselho de Preservação de Brasília (Conbras).  Pode não ser a mais imponente entre as catedrais mundo afora, mas é a dimensão simbólica da arquitetura que encantava Lucio Costa. A cidade é monumental não por ostentação, mas pelo significado, dizia o urbanista.



A vista aérea da Procuradoria-Geral da República, na L4 Sul, mostra um ângulo pouco conhecido: a quinta fachada, segundo o professor Cláudio Queiroz. O teto do prédio principal é uma estrela com tirantes — pilares ao contrário, de cima para baixo. “Por essa estrela, todos os andares ficam pendurados e a entrada de baixo é completamente aberta”, explica. “Por isso o Oscar é bamba, ele é um mestre”, elogia.

Os cliques dão destaque também para a quinta fachada do Memorial dos Povos Indígenas, que fica de frente para o Memorial JK. O centro do museu é parcialmente exposto, com uma cúpula levantada por três pilares. A forma, que remete à maloca redonda dos índios Yanomami, e a rampa sinuosa compõem mais uma obra-prima de Niemeyer.


Modernidade

Uma característica do projeto da capital é o toque classicista da tradição arquitetônica, na qual a simetria tinha papel importante, mas com um toque de modernidade: a simetria está no equilíbrio complexo de volumes. As tesourinhas talvez sejam o exemplo mais marcante dessa harmonia de Brasília, cidade com poucos cruzamentos, mas muitas curvas.

Na Esplanada, há também uma amostra da modernidade de Lucio Costa, o Congresso Nacional. As cúpulas da Câmara e do Senado são diferentes no tamanho e na intenção. A primeira, maior, trabalho árduo do calculista Joaquim Cardoso, que tentou tirar do papel a ideia de Costa de uma curva leve, sombreada, “pousada” no teto. A segunda, menor, mas simbólica — com o céu escuro, o domo do Senado é mais visível, tradução do poder elevado de “expressão decisória e final” da Casa, segundo o professor Cláudio Queiroz.


A capital foi reconhecida como patrimônio cultural da humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) em 1987 e, três anos depois, tombada, como conjunto urbano, pelo governo federal. O objetivo é manter o projeto urbanístico original.

Brasília é, por definição, uma cidade-parque. O verde e o marrom do cerrado e o azul da bacia do Paranoá são tão monumentais quanto as construções modernistas. A Praça dos Cristais, também vista nas fotos aéreas, é mais um exemplo da “modernidade clássica”, com formas e curvas da arquitetura que se unem às belezas naturais do Planalto Central.


Regras
O voo de drones deve ser homologado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). A altura máxima permitida é de 120m de altura. O equipamento é controlado do solo por um monitor — pode ser o do celular, por exemplo — acoplado ao controle remoto. O tempo médio de voo é de 23 minutos.

Moro põe Lula no banco dos réus mais uma vez, agora pelo sítio de Atibaia

A Odebrecht, a OAS e também a empreiteira Schahin teriam gasto R$ 1,02 milhão em obras de melhorias no sítio em troca de contratos com a Petrobrás

 postado em 01/08/2017 18:18 / atualizado em 01/08/2017 18:22
Márcio Fernandes/AE

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva está mais uma vez no banco dos réus. O juiz federal Sérgio Moro aceitou nesta terça-feira (1º/8) a denúncia do Ministério Público Federal contra o petista por corrupção e lavagem de dinheiro nas obras do sítio Santa Bárbara, em Atibaia, interior de São Paulo.

Esta é a terceira denúncia contra Lula que Moro recebe. Ao todo, na Lava-Jato e também nas Operações Zelotes e Janus, o ex-presidente Lula é réu em seis ações penais. Na ação do caso triplex, o petista foi condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro a 9 anos e 6 meses de prisão.

Também se tonaram réus outros 12 investigados, entre eles o empresário Emilio Odebrecht, patriarca da empreiteira, e o advogado e compadre de Lula, Roberto Teixeira. São acusados os executivos Alexandrino de Salles Ramos de Alencar e Marcelo Bahia Odebrecht, Carlos Armando Guedes Paschoal e Emyr Diniz Costa Júnior, todos da Odebrecht, Paulo Roberto Valente Gordilho, Agenor Franklin Magalhães Medeiros, José Adelmário Pinheiro Filho, o Léo Pinheiro, todos da OAS.

Rogério Aurélio Pimentel, segurança do ex-presidente, Fernando Bittar, apontado pela defesa do petista como verdadeiro proprietário do sítio, e o pecuarista José Carlos Costa Marques Bumlai completam a defesa.

Segundo a nova acusação contra Lula, a Odebrecht, a OAS e também a empreiteira Schahin gastaram R$ 1,02 milhão em obras de melhorias no sítio em troca de contratos com a Petrobras. A denúncia inclui ao todo 13 acusados, entre eles executivos da empreiteira e aliados do ex-presidente, até seu compadre, o advogado Roberto Teixeira.

"Luiz Inácio Lula da Silva, de modo consciente e voluntário, no contexto das atividades de organização criminosa, em concurso e unidade de desígnios com Emílio Odebrecht, Alexandrino Alencar, Carlos Armando Paschoal, Emyr Diniz Costa Júnior, Rogério Aurélio Pimentel, Roberto Teixeira e Fernando Bittar, no período compreendido entre 27 de outubro de 2010 e junho de 2011, dissimularam e ocultaram a origem, a movimentação, a disposição e a propriedade de aproximadamente R$ 700 mil provenientes dos crimes de cartel, fraude a licitação e corrupção praticados pela Odebrecht em detrimento da Petrobras, por meio da realização de reformas estruturais e de acabamento no sítio de Atibaia", assinala a denúncia.

A Procuradoria da República, no Paraná, anexou 415 documentos à nova denúncia. Segundo a Procuradoria, a denúncia foi elaborada com base em depoimentos, documentos apreendidos, dados bancários e fiscais bem como outras informações colhidas ao longo da investigação. No material anexado pelo Ministério Público Federal estão fotos de objetos e fotografias da família no sítio, escritura e registro do imóvel, notas fiscais e relatórios da Polícia Federal.


Sentença


Moro condenou Lula a 9 anos e 6 meses de prisão no caso triplex. A sentença, é a primeira do ex-presidente na Lava-Jato, atribuiu os crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro ao petista. Moro não decretou a prisão de Lula.

Na mesma decisão, Moro absolveu o ex-presidente "das imputações de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo o armazenamento do acervo presidencial, por falta de prova suficiente da materialidade".

QUEM É QUEM NO SÍTIO DE ATIBAIA

1) Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente da República, seria o beneficiário das reformas havidas no Sítio de Atibaia e o responsável pelo esquema de corrupção instaurado na Petrobras.

2) Marcelo Bahia Odebrecht, presidente do Grupo Odebrecht, seria o responsável pela decisão de pagamento de vantagem indevida na forma de uma conta geral de propinas a agentes do Partido dos Trabalhadores, inclusive ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

3) Emílio Alves Odebrecht, presidente do Conselho de Administração do Grupo Odebrecht, manteria relacionamento pessoal com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e teria participado diretamente da decisão dos pagamentos das

reformas do Sítio de Atibaia, com ocultação de que o custeio seria da Odebrecht.

4) Alexandrino de Salles Ramos de Alencar, executivo do Grupo Odebrecht, seria o principal interlocutor do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o Grupo Odebrecht e teria participado diretamente da decisão dos pagamento das reformas do Sítio de Atibaia, com ocultação de que o custeio seria da Odebrecht.

5) Carlos Armando Guedes Paschoal, Diretor da Construtora Norberto Odebrecht em São Paulo, estaria envolvido na reforma do Sítio de Atibaia com mecanismos de ocultação de que o beneficiário seria o ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de que o custeio era da Odebrecht.

6) Emyr Diniz Costa Júnior, Diretor de contratos da Construtora Norberto Odebrecht, supervisionou a obra de reforma do Sítio de Atibaia com ocultação do real beneficiário e de que o custeio seria proveniente da Odebrecht.

7) José Adelmário Pinheiro Filho, conhecido como Léo Pinheiro, presidente do Grupo OAS, seria o responsável pela decisão de pagamento de vantagem indevida ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na forma de custeio de reformas no Sítio de Atibaia.

8) Agenor Franklin Magalhães Medeiros, executivo do Grupo OAS, teria participado dos acertos de corrupção nos contratos da Petrobras, tendo ciência de que parte da propina era direcionada a agentes políticos do Partido dos Trabalhadores.

9) Paulo Roberto Valente Gordilho, Diretor Técnico da OAS, encarregou-se da reforma do Sítio em Atibaia, com ocultação do real beneficiário e da origem do custeio.

10) José Carlos Costa Marques Bumlai teria participado de crime de corrupção no âmbito da Petrobras, pelo qual já foi condenado na ação penal 5061578-51.2015.4.04.7000, e seria amigo próximo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Teria sido o responsável pela realização de reformas no Sítio de Atibaia de cerca de R$ 150 mil, ciente de que o ex-presidente seria o real beneficiário. Para ocultar a sua participação e o benefício ao então presidente os fornecedores contratados foram pagos por terceiros e foram utilizados terceiros para figurar nas notas fiscais.

11) Fernando Bittar, um dos formais proprietários do Sítio de Atibaia, participou das reformas, ocultando que o real beneficiário seria o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e que o custeio provinha de José Carlos Costa Marques Bumlai, do Grupo Odebrecht e do Grupo OAS.

12) Roberto Teixeira, advogado e amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, teria participado da reforma do sítio, ocultado documentos que demonstravam a ligação da Odebrecht com a reforma e orientado engenheiro da

Odebrecht a celebrar contrato fraudulento com Fernando Bittar para ocultar o envolvimento da Odebrecht no custeio e que o ex-presidente era o beneficiário.

13) Rogério Aurélio Pimentel, auxiliar de confiança do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, participou das reformas do Sítio em Atibaia e teria participado da ocultação da custeio por José Carlos Costa Marques Bumlai e pelo Grupo Odebrecht das reformas, assim como do real beneficiário.